A força silenciadora da branquitude

Desde 2009, tenho me dedicado a compreender o que é e como acontece o midiativismo em favelas. A partir de agora, no pós-doutorado (2017-2019), pretendo me dedicar também à questão do midiativismo entre pessoas que lutam contra o racismo no Brasil e na Finlândia. Este texto foi uma reflexão originalmente publicada no site da rede anti-racista Raster (Finlândia) sobre minha experiência angustiante como único negro num evento anti-racista na Suécia. Depois que escrevi o texto, descobri a fala da admirável filósofa Djamila Ribeiro (Tedx São Paulo) sobre a necessidade de romper com silêncios em lutas anti-racistas. Meu texto, então, é um complemento à esse debate.

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Conversa e coletividade na favela para transformar pesquisas acadêmicas

No último sábado, participei do encontro “Para quem e para que servem as pesquisas acadêmicas realizadas nas favelas?“, no Colégio Estadual Clóvis Monteiro, na favela de Manguinhos, Zona Norte do Rio.

De lá, voltei para Magé aliviado, satisfeito e revigorado pra continuar na luta pela construção de ambiente acadêmico mais inclusivo e por uma pesquisa em ciências sociais com mais diversidade e maiores níveis de participação popular.

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Acampa do Levante: a experiência que toda(o) jovem deveria ter

O terceiro acampamento do Levante Nacional da Juventude – que rolou em Belo Horizonte do dia 5 ao dia 9 de Setembro – foi uma das coisas mais marcantes que já presenciei na vida.

O tempo todo eu fiquei pensando em como teria sido fantástico ter de novo quase vinte anos e estar ali no Ginásio do Mineirinho entre os 7 mil jovens do Brasil todo curtindo, cantando, dançando e aprendendo junto sobre respeito, solidariedade, humanidade e luta por uma sociedade mais igualitária.

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“Que horas ela volta?” – Filme para Ver com os Pais

Que horas ela volta?” é o filme brasileiro (Anna Muylaert, 2015) que está dando o que falar por retratar o local onde as desigualdades brasileiras ficam mais explícias: na casa, geralmente grande, onde convivem patrões e empregados.

Mas eu não vou falar do filme em si. Ao invés, quero dar uma dica à um público especial. Os parecidos comigo, que viveram em maior ou menor grau as experiências da filha da empregada.

Veja o filme. Se você se identificar com a Jéssica (Camila Márdila), dá um jeito de ver o filme com seus pais também. É na relação entre ela e a mãe Val (Regina Casé) que para gente como nós – universitários negras(os), pardas(os) ou mesmo brancas(os) filhas(os) de pais trabalhadores de renda média ou baixa – que está o coração do filme.

O filme gera uma chance ótima de conversar sobre o incômodo que eu e suponho que outros como eu tenham vivido ao ter uma vida de experiências, vivências e possibilidades graças ao sacrifício dos nossos pais (ou tios, avós…) que tiveram bem menos que nós.

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