Weslley, 16 anos, do Rio: “A Copa do Mundo não é o que o Brasil precisa agora”

Este post é uma versão em português (não oficial) do texto publicado no blog da UNICEF-Finlândia. O texto original (em Finlandês), escrito por Ira Custódio, pode ser lido aqui.

weslley_unicef finland_custodioNa rua de Weslley não tem enfeites pra Copa. Foto: UNICEF/Custódio

 

Conversamos com o jovem brasileiro sobre o que o torneio de futebol representa para seu país.

– Eu não quis a Copa aqui, diz Weslley e comeca a falar rápido.

Weslley, de 16 anos, mora na Região Metropolitana do Rio, na cidade de Magé. A distância para a cidade do Rio em linha reta é um só pouco maior do que 30 quilômetros, mas nas conversas sobre a Copa do Mundo que comeca essa semana a distância parece bem maior.

Na opinião de Weslley, a Copa do Mundo não é o que o Brasil ou Magé precisam agora. Do que Magé precisa então?

– Policiamento, saneamento básico, hoje mesmo faltou água de novo.

Weslley não conhece ninguém que vá assistir aos jogos da Copa no Maracanã. Ele mesmo joga futebol no quintal de um amigo porque no campo onde ele costumava treinar não é mais seguro.

Weslley fala muito sobre inseguranca. Um dia desses na sala de aula tinham só mais três alunos além dele. Os pais dos outros alunos não deixaram os filhos irem pra escola porque eles moram numa área onde as vezes é difícil de circular ou sair de casa porque é perigoso.

Weslley estuda numa escola estadual e quer estudar biologia ou educacão física no futuro. Pelos dois últimos meses os professores estão em greve e só parte das aulas são dadas. As aulas que não tiverem sido dadas serão compensadas no final do ano letivo.

O servico de saúde também não vai bem. Alguns meses antes Weslley ficou doente e teve que esperar por muito tempo no hospital mesmo sem fila.

– Os estrangeiros vêm pra cá pra ver os jogos e vão ver que as coisas aqui não estão bem, ele continua.

– Ou talvez eles só vão ver as áreas que foram preparadas para os turistas. Talvez eles nem acreditem em como as coisas são em outros lugares.

Quanto mais ele fala, mais pensativo ele fica. Eu pergunto se ele conhece alguém que esteja animado para a Copa do Mundo. Conhece sim.

– Talvez eles queiram torcer pelo Brasil, ter orgulho do Brasil. Eu também gostaria de ter orgulho pela Copa do Mundo ter sido organizada aqui no Brasil, mas…

Ira Custódio