Favela Digital: The Other Side of Technology (Book Review)

Originally posted at the LSE Review of Books website on 13/10/2014.

Sometimes academic books must not be evaluated only according to their conclusions or arguments, but also for the meanings they carry in themselves. That is, to paraphrase Marshall McLuhan, sometimes the book is the message. I am specifically thinking about studies regarding the lifeworlds and actions of people who suffer from and struggle against the consequences of social inequality, such as favela dwellers in Brazil, to take one example. In my own fieldwork, I often hear favela dwellers complain about how most researchers treat them as guinea pigs. In these circumstances, the way academics write books and undertake research can potentially transform a situation of insensitivity and mistrust into a relationship of mutual respect.

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Midiativismo de favela: o morador também tem voz

Entrevista publicada no Observatório de Mídia e Violência (Universidade Federal Fluminense – UFF) em 11/10/2014.

As favelas cariocas são ainda retratadas como territórios de violência nos principais noticiários. Com isso, seus moradores são constantemente criminalizados ou vitimados, sem que suas vozes sejam realmente retratadas na grande mídia. Leonardo Custódio, doutorando em comunicação na Universidade de Tampere, Finlândia, estuda há cinco anos esse cenário e as formas como revertê-lo. De mídias comunitárias a coletivos entre favelas, Custódio investiga as ações de midiativismo em favelas do Rio de Janeiro. Para ele, o valor de ações cidadãs como o midiativismo está na possibilidade que os moradores de favelas encontraram para explorar espaços que acomodem sua insatisfação com o modo que são tratados no cotidiano. Confira a entrevista completa.

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Criminalização da favela no noticiário continua

Publicado originalmente no site Observatório da Imprensa em 07/10/2014

Uma das maneiras de diminuir a criminalização das favelas no noticiário policial é a diversificação as fontes. Ouvir moradores com mais frequência ajudaria a quebrar o estigma de que favelas são apenas territórios de medo e conivência controlados por facções criminosas. Por isso a popularização das redes sociais na periferia criou uma expectativa de mudança da representação das favelas e bairros pobres na cobertura jornalística do cotidiano.

No Rio, por exemplo, milhares de moradores – em anonimato ou “botando a cara” – se fazem ouvir diariamente narrando, analisando e contextualizando o que acontece nas favelas. Está claro que jornalistas da grande mídia ouvem as vozes online. Mas a criminalização das favelas e vitimização dos moradores continua. Como vimos na primeira semana de outubro, não adianta ter acesso à mais fontes se não há disposição ou interesse para criar novas narrativas.

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The conflict of middle classes in the Brazilian youth-led protests

Text originally published in Finnish in August, 2013 at the Nuorisotutkimus lehti (3/2013). 

Last June citizens formed the biggest mass demonstrations of Brazil since the end of dictatorship in 1985. Who were the protesters? The consensus between Brazilian and foreign analysts points to the middle class youth. This explanation is problematic. Indeed it is true that most on the streets were young people who had never protested on the streets before. They were mobilized on social networks online to get off the chair and go to the streets with the hope of changing a highly corrupt and unfair country. But the emphasis on middle class is too simplistic.

I contend that characterizing the Brazilian protests solely as the reaction of an apparently homogenous middle class youth gives a wrong sense of unity to a very diverse and conflicting movement. This is the impression I got during my research fieldwork in Rio. I had the chance of looking at the birth, growth and fragmentation of the demonstrations by observing the participation of young activists from favelas (Brazilian kinds of slums) on the protests.

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