O Brasil em “12 anos de Escravidão”

(Publicado como atualizacão de status no Facebook em 28/02/2014)

Fui ver “12 Anos de Escravidão” ontem e saí boladão do cinema. Chorei de raiva. Fechei os olhos pra não ver certas brutalidades. Mas a qualidade da produção, a lembrança borrada da infância e a metáfora do cotidiano me fizeram achar o filme uma obra-prima.

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Pesquisar, aprender e agir: o que eu faço e pra que serve

(Postado originalmente como nota no Facebook em 15 de Marco de 2014)

Uma das perguntas que mais ouço de pessoas amigas na Finlândia, no Brasil, em Magé e no Facebook é: “o que você faz na Finlândia?” Eu sempre respondo “faço doutorado e pesquisa”. Só que de um tempo pra cá, eu percebi que essa resposta é vaga. Sinto que quando as pessoas dizem: “Ahnnn, entendi…”, elas querem dizer: “que pesquisa?”, “pra que serve?”, “do que exatamente tu tá falando?”

Essa nota é para minha família e meus amigos que se interessam e tem curiosidade de saber o que eu faço.  Que querem saber meus motivos e objetivos pra fazer pesquisa.  Também é para as pessoas que eu tenho conhecido nesse processo do doutorado. Pessoas com quem tenho conversado, entrevistado, acompanhado e principalmente admirado pelo que fazem.

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O desafio de mobilizar pessoas de baixa-renda no Brasil

(texto escrito originalmente em Julho de 2013)

Durante as manifestações no Brasil, muitos disseram que o gigante – o povo brasileiro – tinha finalmente acordado. Enquanto é verdade que muitos jovens especialmente de boa qualidade de vida têm sido mais ativos como cidadãos nas últimas semanas do que antes, a mobilização das populações de baixa-renda continua como um grande desafio.

Este desafio é muito familiar para atores da sociedade civil das favelas que há anos estão engajados em diferentes redes de movimentos sociais. Um exemplo atual da dificuldade de mobilizar pessoas de baixa-renda é evidente na luta contra os impactos dos mega-eventos nas favelas do Rio de Janeiro.

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Anotações de um estrangeiro local

É interessante ser um estrangeiro local.

Em Helsinki, onde moro, eu sou local por morar aqui. Ao mesmo tempo sou estrangeiro por ser imigrante. Não que eu seja isolado na Finlândia ou coisa do tipo. Não sou. Só que eu ainda me sinto como se não pertencesse aqui mesmo amando ter a Finlândia como casa.

O engraçado é que eu também me sinto um estrangeiro local no Brasil (ou no Rio, ou em Magé, minha cidade natal). Eu sou local por ser de lá. Mas eu já moro há algum tempo fora. Então eu acabo sendo estrangeiro lá também. Também sinto que não mais pertenço à terrinha.

Negozinho piraria numa situação dessa. Tipo, se sentindo que não pertence à  lugar nenhum. Eu fico meio bolado as vezes. Mas pode haver benefícios. Continue reading “Anotações de um estrangeiro local”