Acampa do Levante: a experiência que toda(o) jovem deveria ter

O terceiro acampamento do Levante Nacional da Juventude – que rolou em Belo Horizonte do dia 5 ao dia 9 de Setembro – foi uma das coisas mais marcantes que já presenciei na vida.

O tempo todo eu fiquei pensando em como teria sido fantástico ter de novo quase vinte anos e estar ali no Ginásio do Mineirinho entre os 7 mil jovens do Brasil todo curtindo, cantando, dançando e aprendendo junto sobre respeito, solidariedade, humanidade e luta por uma sociedade mais igualitária.

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“Que horas ela volta?” – Filme para Ver com os Pais

Que horas ela volta?” é o filme brasileiro (Anna Muylaert, 2015) que está dando o que falar por retratar o local onde as desigualdades brasileiras ficam mais explícias: na casa, geralmente grande, onde convivem patrões e empregados.

Mas eu não vou falar do filme em si. Ao invés, quero dar uma dica à um público especial. Os parecidos comigo, que viveram em maior ou menor grau as experiências da filha da empregada.

Veja o filme. Se você se identificar com a Jéssica (Camila Márdila), dá um jeito de ver o filme com seus pais também. É na relação entre ela e a mãe Val (Regina Casé) que para gente como nós – universitários negras(os), pardas(os) ou mesmo brancas(os) filhas(os) de pais trabalhadores de renda média ou baixa – que está o coração do filme.

O filme gera uma chance ótima de conversar sobre o incômodo que eu e suponho que outros como eu tenham vivido ao ter uma vida de experiências, vivências e possibilidades graças ao sacrifício dos nossos pais (ou tios, avós…) que tiveram bem menos que nós.

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Para jornalistas e internautas resistirem às correntezas [Resenha]

Resenha do livro Jornalismo na correnteza: senso comum e autonomia na prática jornalística, de Ana Lucia Vaz (2013),  originalmente publicado em 21/10/2014 no site Observatório da Imprensa.

Às vezes, publicações escritas para um público específico podem ter relevância social muito mais ampla do que a esperada. Este é o caso de Jornalismo na correnteza: senso comum e autonomia na prática jornalística (Senac, 2013), da professora e jornalista Ana Lúcia Vaz. No livro, escrito para jornalistas e estudantes de Jornalismo, a autora reflete sobre como profissionais da imprensa podem e devem buscar em si mesmos a autonomia para – dentro das limitações da profissão – fazer jornalismos diferentes.

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Favela Digital: O Outro Lado da Tecnologia [Resenha]

Resenha do livro “Favela Digital: o Outro Lado da Tecnologia“, de David Nemer (2014) originalmente publicado em inglês no site LSE Review of Books em 13/10/2014.

As vezes, livros acadêmicos não devem ser avaliados de acordo com suas conclusões ou argumentos, mas também pelos significados que carregam em si. Tipo, parafraseando McLuhan, as vezes o livro é a mensagem. Estou pensando especificamente sobre estudos sobre o cotidiano e as ações de pessoas que sofrem com e lutam contra as consequências da desigualdade social, como os moradores de favelas no Brasil, por exemplo. Na minha pesquisa, eu tenho frequentemente ouvido moradores de favela reclamarem sobre como muitos de nós pesquisadores os tratam como ratos de laboratório. Nesse caso, a forma como acadêmicos escrevem seus livros e conduzem pesquisas pode se transformar uma situação de insensibilidade e desconfiança em uma relação de respeito mútuo.

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