A periferia se vinga da Zona Sul. De novo.

“Se fosse depender da Zona Sul, a gente estava ferrado. Ainda bem que tem a Zona Norte e a Zona Oeste”, disse hoje de manhã um feirante na Glória falando da vitória do Crivella.

Mais tarde, a vitória veio. Não só nas eleições, mas uma vitória dos trabalhadores pobres contra a elite carioca que pra muitos na Zona Norte e Zona Oeste o Freixo representava.

Se votasse no Rio, eu votaria em Freixo. Esse voto é do “eu” de hoje. Mas ter sido um “eu” bem diferente antes me ajuda a entender a vitória do Crivella.Talvez, há anos atrás, eu até considerasse votar nele apesar da Universal.

E é isso – a reprodução dos conflitos de classe no voto das pessoas pobres e periféricas – que muitos da esquerda (onde o meu “eu” de hoje está) ainda não conseguem perceber como um dos maiores desafios pra esquerda no Rio.

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Talk and Collectivity in Favelas to Change Academic Research

Last saturday, I participated in a meeting entitled “To whom and what for are academic research conducted in favelas?” (page in Portuguese) The event happened at a public school in Manguinhos, a favela located at the low-income North Zone of Rio de Janeiro.

After having inspiring talks, I returned home with a sense of relief, satisfaction and renewed strength to keep struggling for the construction of a more inclusive academic environment and for a more diverse and more participatory social science research.

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Conversa e coletividade na favela para transformar pesquisas acadêmicas

No último sábado, participei do encontro “Para quem e para que servem as pesquisas acadêmicas realizadas nas favelas?“, no Colégio Estadual Clóvis Monteiro, na favela de Manguinhos, Zona Norte do Rio.

De lá, voltei para Magé aliviado, satisfeito e revigorado pra continuar na luta pela construção de ambiente acadêmico mais inclusivo e por uma pesquisa em ciências sociais com mais diversidade e maiores níveis de participação popular.

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Como palmiteiros nascem? Uma reflexão de quem sempre palmitou

A palmitagem existe. Eu sei que existe porque eu palmito. É desconfortável e incômodo assumir isso, mas é preciso falar: eu sou palmiteiro.

Também é urgente. A regra de homens negros privilegiados se relacionarem com mulheres brancas me parece como uma das faces mais cruéis do racismo estrutural em que vivemos.

A palmitagem é um ato racista cruel por sua sutileza. À primeira vista, parece só uma questão de afeto (logo incontrolável e irracional como a paixão e o amor) combinada com escolha individual por aquela com quem se vai viver um relacionamento.

Mas não é só isso. É complexo. É uma combinação de afeto com questões estruturais (desigualdade, machismo e racismo) que vivemos desde criança e com relações e disputas de poder em diversas relações do cotidiano durante o crescimento.

Por essa urgência e complexidade, resolvi escrever. Este não é um texto de auto-defesa. Como eu disse, por mais incômodo que seja, eu me assumo como palmiteiro.

O que quero neste texto não é criar uma regra ou provar uma verdade. Só quero refletir em busca de respostas. Que fatores me influenciaram a tal ponto de todos os meus relacionamentos duradouros, inclusive meu casamento, terem sido com mulheres brancas?

Minha ideia é usar minha experiência (coisas que vivi e que vi viverem) pra sugerir uma genealogia possível da palmitagem.

Acho que esse tipo de conversa é fundamental se quisermos confrontar a palmitagem como um fenômeno social que afeta sobretudo a vida das mulheres negras.

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